sábado, 22 de setembro de 2012

Grupo de associados esteve nesta sexta-feira em JF e negou que empresa seja pirâmide financeira. Delegado reforça que apuração continua

Por Eduardo Valente

Cerca de 50 pessoas participaram de protesto
Cerca de 50 pessoas participaram de protesto
Uma manifestação em defesa da empresa Mister Colibri ocorreu, na tarde desta sexta-feira (21), em frente à delegacia de Polícia Civil em Santa Terezinha. Mais de 50 pessoas, de diversas cidades brasileiras, estiveram no local, com o objetivo de contestar as investigações realizadas pelas autoridades do município. A delegada Mariana Veiga, da 7ª Delegacia Distrital, responsável pelos trabalhos, não estava no local, mas, segundo a assessoria de comunicação da instituição, irá receber representantes deste grupo na segunda-feira(24), às 10h.
Um dos integrantes do protesto era o empresário Sérgio Sirqueira, 46 anos, de Cabo Frio (RJ). Ele defende que as pessoas que se dizem vítimas não entendem a finalidade da Mister Colibri e, por isso, não souberam utilizar os serviços oferecidos. "Entrei há quatro meses. Hoje meus rendimentos adquiridos são maiores que o da minha lanchonete. Estou super satisfeito. Não estou em uma pirâmide financeira." Para ele, a Mister Colibri seria uma empresa de marketing multinível que tem como objetivo associar diversos serviços, como compra coletiva e divulgação de material publicitário, em uma única rede social. "Nosso negócio não é assistir vídeos para ganhar dinheiro. Os pontos que recebemos para isso, os LPs (loyalty points), são apenas bônus que podem ser trocados em produtos e serviços, com descontos, e também para cadastrar novos membros." Para isso, um serviço de comércio virtual estaria sendo implantado pela empresa nos próximos dias. Conforme os manifestantes, os LPs seriam similares aos pontos de milhagens, de cartão de crédito e companhias aéreas.
Apesar da ação deste grupo, o delegado Humberto Brandão, da Polícia Federal em Juiz de Fora, é taxativo: "Não é com manifestações populares que as polícias serão convencidas que a Mister Colibri não é uma pirâmide." Segundo o delegado, diversos indícios sustentam o trabalho de investigação, como o fato de a única fonte de receita da empresa ser o ingresso de novos investidores, mudanças constantes de estratégias, oferta de lucro acima do normal e ausência de contratos firmados com multinacionais. Isso porque, de acordo com o delegado, a empresa anunciava, em seu antigo site, tratar-se de uma revista eletrônica que paga aos associados para assistir vídeos publicitários. "Inclusive temos a informação que multinacionais teriam notificado a empresa extrajudicialmente para retirar os vídeos do ar." Também há o fato de não haver contratos firmados entre os associados e a organização. Até o momento, o delegado não recebeu documentos que comprovem a veracidade da Mister Colibri. Por isso, as investigações continuam.

Mudança de regras
De acordo com as explicações do grupo que esteve nesta sexta na delegacia, inicialmente, a Mister Colibri prometia a troca dos pontos em dólares. Segundo os membros, esta regra mudou em julho de 2011, em comunicado interno divulgado entre os associados. Na época, a empresa teria dado o prazo de um mês para quem não estivesse satisfeito sair e receber seu dinheiro de volta. Ainda no comunicado, é informado que ela "se reserva o direito de modificar os termos e condições a qualquer momento que ela julgar necessário".
A obrigação de assistir vídeos para ganhar os pontos, ainda conforme os manifestantes, faz parte do projeto de implantação da empresa. "É a fase de treinamento. A Mister Colibri fez isso para montar sua base de associados. Apenas com muitas pessoas no programa poderemos negociar descontos na compra de produtos do e-commerce. Isso era necessário, também, para atrair possíveis anunciantes", disse a designer gráfica Daniela Batista, 27, de Juiz de Fora.


Associados defendem empresa local

Grande parte das vítimas que esteve na delegacia esta semana questiona o fato de a Dream Team Brasil, que representa um grupo de associados da Mister Colibri, em Juiz de Fora, ter parado de trocar os pontos de fidelidade em dinheiro. Sobre isso, o grupo que se manifestou na sexta informou que a empresa local faria isso apenas para ajudar seus associados, e não tinha obrigação de continuar com este serviço. A troca teria parado apenas enquanto o e-commerce não entrasse no ar. "O líder de Juiz de Fora dá suporte para cerca de 20 mil associados. Até onde sei, o comércio eletrônico não entrou no ar porque grande parte dos produtos está no porto aguardando a liberação dos órgãos competentes", afirmou o pastor Ernane Silva, que disse ser afiliado e estaria satisfeito.
Sobre a suposta desvalorização dos LPs, que a empresa estipula em R$ 1, mas já é encontrado por até R$ 0,20, o religioso alegou que isso aconteceu porque esta demora fez as pessoas se precipitarem. "Temos um produto e objetivo. A Mister Colibri se sustenta e, por isso, não é pirâmide."
O caso
O representante da Mister Colibri, em Juiz de Fora, é investigado pelas polícias Civil e Federal. Ele é suspeito de lavagem de dinheiro, estelionato e formação de quadrilha. As duas corporações trabalham em conjunto, com apoio do Ministério Público Estadual. Apesar das manifestações do grupo, a Tribuna continua recebendo ligações e e-mails de pessoas de diversas partes do país que se dizem lesadas com a suposta pirâmide. Na sexta entraram em contato moradores de Cabo Frio e Teresópolis, ambas no Estado do Rio de Janeiro.
A Tribuna entrou em contato, por telefone, com o advogado da Mister Colibri no Brasil, com sede em Fortaleza (CE), mas o expediente já havia sido encerrado. O jornal se colocou à disposição para que a empresa se manifeste sobre os últimos acontecimentos.

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